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O HOMEM DO BALÃO EXTRAVAGANTE

dvd_15738.jpgAtento neste documentário, principlamente osparaenses. Com honra participei deste trabalho, e aproveito pra deixar meu agradecimento ao Diretor Horácio Higushi.
Já na segunda metade do século XIX, o balão aerostático continuava a seguir, invariavelmente, aonde os ventos o levassem. Várias experiências haviam sido feitas tentando controlar a direção do vôo. Mudou-se a sua forma de esférica para cilíndrica, à semelhança de um charuto ou um fuso; instalaram-se-lhe aletas e lemes; guarneceram-no com bizarros sistemas de propulsão que se valiam do esforço humano - sempre com resultados insignificantes. Havia qualquer coisa que impedia a dirigibilidade dos balões, algo que limitava a liberdade de deslocamento do homem frente aos ventos.

Filho de uma família modesta, Júlio Cezar Ribeiro de Souza nasceu em 1843, no município de Acará – PA. Fascinado pelo balão de observação que viu ao servir na Guerra do Paraguai, Júlio Cezar tenta imaginar um meio de libertar os balões da dependência das correntes de ar. Com base em suas observações do vôo das aves, concebe um balão original de invólucro assimétrico, um pouco arredondado e mais largo na metade anterior, ligeiramente afilado atrás. Grandes asas triangulares e uma cauda horizontal, presas a uma vara longitudinal suspensa do invólucro, por cima da barquinha, confeririam-lhe a capacidade de sustentação no ar e de direção de vôo.

Júlio Cezar faz vários modelos de teste e apresenta suas teorias sobre a navegação aérea no Instituto Politécnico, no Rio de Janeiro, capital do Império. Poucos dos engenheiros presentes o levam a sério, pois ele não passa de um autodidata sem formação acadêmica, e além disso vem da Amazônia, onde não vive ninguém que tivesse alguma importância. Mas ele é persistente, até obstinado, e finalmente consegue obter, com as bênçãos do Imperador, fundos para ir à França e lá encomendar a confecção de um balão segundo suas especificações.

Outubro de 1881: em Paris, ele faz conferências e tira patentes de seu "Sistema Júlio Cezar". Encomenda ao fabricante Henri Lachambre um balão alongado de dez metros, batizado "Victoria", homenagem à esposa: é um protótipo não tripulado, que serve para demonstrar ao público a manobrabilidade de um invólucro assimétrico inflado de hidrogênio. Testes em Paris, em Belém e no Rio são bem sucedidos. Entusiasmado, encomenda a Lachambre um outro balão, desta vez um gigante tripulado de 52 metros, o "Santa Maria de Belém".

Após inúmeras dificuldades, financeiras e outras, Júlio Cezar marca a primeira ascensão do "Santa Maria" para 12 de julho de 1884. Uma multidão comparece, mas problemas técnicos causam o fracasso do experimento: o balão não consegue ser completamente inflado. Menos de seis meses depois, os franceses Renard e Krebs anunciam o êxito do "La France", o primeiro balão efetivamente dirigível. O inventor paraense escreve um "Protesto Universal", afirmando que o balão deles é uma cópia de seu modelo assimétrico.

Mas o inventor não é ouvido em suas reivindicações. Chega a fazer testes exitosos em Manaus com um terceiro balão, outro protótipo sem piloto, e só. Júlio Cezar Ribeiro de Souza morre de beribéri a 14 de outubro de 1887 em Belém, deixando inacabado o manuscrito "Fiat Lux". Se ele de fato nunca conseguiu voar, suas idéias e princípios sobreviveram nas formas dos grandes dirigíveis da alvorada da aviação.

O Documentário - O material iconográfico existente sobre Júlio Cezar Ribeiro de Souza resume-se a dois retratos e a foto do balão "Santa Maria de Belém" sendo inflado na Praça da Sé, na capital paraense. Sendo assim, o documentário lançou mão de vários recursos para contar a história do biografado. Foram realizadas entrevistas em Belém, no Rio de Janeiro e em Paris com especialistas na figura do visionário paraense, em aviação antiga e aerostação, na História da Ciência no II Reinado e em outros assuntos. Mobilizaram-se vários arquivos públicos e privados que disponibilizassem imagens da época retratada (primeira metade da década de 1880). Fizeram-se reconstituições de época para ilustrar algumas passagens. E os modelos de balões do inventor foram todos visualizados através de computação gráfica. O filme não se detém, porém, no fato de Júlio Cezar não ter conseguido o seu intento: arrisca ainda uma situação conjectural em que, superadas as dificuldades, o sonho do paraense - e de toda a humanidade - teria se concretizado.A opinião dos vários peritos não encontrou unanimidade em vários tópicos, e essa diversidade contribuiu para se ter um panorama amplo do homem e de sua época. Júlio Cezar emerge como um inventor autodidata do século XIX que, embora isolado geografica e economicamente, e enfrentando enormes dificuldades, conseguiu oferecer uma contribuição expressiva à ciência da aeronáutica, o primeiro de uma série de ilustres brasileiros do século XIX que tentaram superar o problema de voar livremente e tiveram reconhecimento internacional, série essa que culminaria com as façanhas de Alberto Santos-Dumont.

Ficha Técnica
Roteiro e direção: Horácio Higuchi.
Imagens: Adalberto Júnior.
Imagens Unidade Rio de Janeiro: Márcio Bredariol.
Assistente de operador Rio de Janeiro: Paulo Munhoz.
Assistente de direção: Elinete Ribeiro.
Efeitos visuais digitais: Nonato Moreira.
Consultor técnico: Luís Carlos Bassalo Crispino.
Produtora: Priscilla Brasil.
Produtor executivo: Emanoel Freitas



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